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História
A mais notável das obras pias dos finais de quatrocentos, pela influência que exerceu na sociedade portuguesa e no desenvolvimento das instituições de beneficência, foi, sem dúvida, a confraria criada em Lisboa, em Agosto de 1498, sob a invocação de Nossa Senhora da Misericórdia. Com ela impulsionava-se a reforma da assistência em Portugal que, da capital, irradiou pelo país chegando a Castelo de Paiva em meados do século XX, mais propriamente no ano de 1943, quando, com o beneplácito do Presidente da Câmara da época, Padre José Moreira Pinto Queiroz, no salão nobre da Câmara Municipal deste Concelho, foi eleita a primeira Direcção e Mesa da Assembleia Geral da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Castelo de Paiva e Hospital de Nossa Senhora da Assunção. (Acta da reunião arquivada no Serviço). Uma das grandes novidades que estas confrarias transportavam era a sua total abertura à sociedade, não se circunscrevendo aos irmãos e seus familiares as catorze obras de bem-fazer. Igualmente inovador era o facto de se pretender que as Misericórdias fossem pólos centralizadores dos múltiplos espaços assistenciais que a caridade particular fizera erguer ao longo dos séculos e que agora, por razões várias, já não cumpriam os objectivos que tinham presidido à sua fundação. Por isso, à sombra do concílio de Trento (1545-1563), e sob a orientação da monarquia, na segunda metade do século XVI, as Misericórdias iniciariam um movimento de anexação sistemática das dispersas unidades hospitalares. Em Castelo de Paiva, o processo teve o seu inicio no ano acima referenciado, segundo testemunhos, no tempo da guerra para acudir à fome e às provações, com a criação da denominada “sopa dos pobres”, ou seja, um conjunto de pessoas constituíam-se em “irmandades” ou outras denominações a fins de forma a fornecerem aos mais indigentes, pelo menos uma “sopa”. A partir desse ano (1943), a referida Irmandade sonhou ir mais longe. Para além do apoio social, pretendia alargar o seu horizonte, principalmente na área da saúde, uma vez que Castelo de Paiva era um concelho do interior, afastado do grande centro urbano – a cidade do Porto – com enormes carências em todas as áreas. A resposta foi dada no dia 6 de Setembro de 1953, quase dez anos depois, com a inauguração do Hospital da Misericórdia, onde o “todo o povo” de Castelo de Paiva disse presente. Constituíam a Mesa Administrativa aquando desta inauguração os seguintes elementos: Provedor: Dr. António Alves Martins Coimbra; Secretário: José Pereira Rocha Gouveia; Tesoureiro: Capitão Abel Vieira Rente e Vogais: Dr. Adriano Ferreira Cunha Moreira e José Alves Moura. Vicissitudes várias, ocorreram desde esse tempo até aos dias de hoje, tendo-se verificado no ano de 1975 uma alteração radical no conceito de misericórdia, principalmente no que se refere aos Hospitais das Misericórdias, entretanto nacionalizados e deixando, dessa forma, de prestar o auxilio e a vocação para que tinham sido criados. Assim aconteceu, também, ao nosso Hospital. Em 1977, com a eleição da Mesa Administrativa Presidida pelo Senhor Provedor Dr. Justino Duarte Strecht Ribeiro, a Santa Casa da Misericórdia seguiu um novo rumo de consolidação do seu passado de Irmandade e abrindo novos horizontes de desenvolvimento, com olhos postos num futuro mais radioso e mais solidário.
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